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Mostrando postagens de dezembro, 2020

Cafezal em flor

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 Pena que a Nonco deixou o post dela no rascunho e não consigo ler. Hoje pela manhã eu estava lendo e ouvindo a Radio USP ( falas tucanas aos montes mas o programa musical é dez!) e de repente começou a tocar a música do Cascatinha e Inhana "Cafezal em flor" acho que na voz de Inezita Barroso, Aí lembrei dos papos desencadeados por aquela foto que Shin postou no zap.  Vejam só : Meu cafezal em flor! Quanta flor, meu cafezal, meu cafezal em flor! Quanta flor, meu cafezal Ai, menina, meu amor! Minha flor do cafezal Ai, menina, meu amor! Branca flor do cafezal Era a florada Lindo véu de branca renda Se estendeu sobre a fazenda....etc Passa-se a noite, vem o sol ardente bruto Morre a flor e nasce o fruto no lugar de cada flor...etc Procurem no Dr.Google e vejam como tem a ver com a nossa memória longinqua da infância em meio ao cafezal e a lembrança do pai vivendo alegrias e tristezas relacionados ao cultivo do café ! Rió, saudosismo, vendo o ano findar num clima de desalento com...

Um Natal diferente, muito diferente

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Merece registro esse Natal 2020 . Primeiro Natal sem o pai , sem o tradicional amigo secreto que há mais de 50  anos vinha acontecendo, reunindo toda a família ampliada  num encontro barulhento, alegre, com almoço comunitário cheio de coisas gostosas ! Essa pandemia nos obrigou a reduzir o encontro natalino a núcleos pequenos. Hoje a noite, vamos ficar em só 6 pessoas e rememorar nossos Natais dos anos passados. Contei pros netos que a nossa mãe fazia um panetone tão gostoso que, ainda quando ela morava no interior, mandava pra nós e contei também daqueles galetinhos fritos na hora, temperados só com sal e pimenta e passados na farinha seca, quem lembra desse sabor? Pensar que a mãe quase não sai da cama, não fala nem canta, não sente o sabor de comidas boas me aperta o coração. Vou ficar mentalizando que cada membro dessa familia tão querida possa recordar essas festas barulhentas e que possamos retomar essa tradição nos anos vindouros! Rió 

Remexendo o baú da infância:

Remexendo o baú da infância: As primeiras lembranças da minha infância estão numa casa de tábua, de chão de terra batida, com 4 cômodos : sala, cozinha e 2 quartos. Em um dos quartos meu pai construiu um estrado de madeira que foi fixado nas tres paredes, ocupando mais da metade do cômodo. Esse estrado era coberto por vários  "futons" (edredons feitos pela minha mãe) que substituíam colchões e ali dormíamos toda a família. Lembro-me das noites em que, antes de dormir, meu pai brincava com os filhos pequenos, deitado no estrado, colocando nas plantas dos seus pés, um por um, as crianças pela barriga, levantando-as  ao ar e falando : "taka taka taka" (olha a altura!). Lembro dos risos altos dele nessas ocasiões, divertindo-se como mais uma criança. Quando jovem, meu pai era um homem enérgico, temido por suas explosões de ira, mas sempre gostou de crianças pequenas, fazia questão de pegar no colo os bebês, irmãos de minhas amigas que apareciam para brincar comigo.  Yuk...

Travessia do nosso Pai para o outro mundo

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Hoje, dia 22/12 , Tonco nos lembrou que o pai faleceu há 49 dias. Segundo explicaram as irmãs , é nesse dia que a alma do falecido viaja  num barco pro outro mundo ( nesse período a alma fica zanzando por onde?). Yuko recomendou que quem não pode acender incenso no altarzinho dos nossos ancestrais, faça uma reverência,  um minuto de silêncio . E falou que nesse dia deveríamos oferecer 3 moedas que, no caso,  propôs substituir pelos tsurus que seguiram com o pai na sepultura... Disse que as moedas são pra pagar o barqueiro pela travessia e, eu: "poxa, até pra ir pro outro lado temos de pagar? E assim, do nosso jeito, reverenciamos a memória do pai que nos deixou no dia 3/11, com rastros de saudades. Ontem, Shinji mandou pelo zap uma foto de floração exuberante do cafezal na Mantiqueira. Aí desencadeou em nós várias lembranças sobre o cafezal que é a paisagem de nossa infância. Yuko que prima por ter memória boa, falou que não guardou lembrança de floração no cafezal. O Dió...

Uma longa vida em comum

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Hoje, dia 16 de dezembro, sempre foi dia de celebração na nossa família pois nessa data nossos pais se casaram. E viveram  juntos 75 anos (e 10 meses, como falou a Tonco) ! Foram felizes? Isso só eles podem dizer mas suponho que o pai  que se considerava um homem de sorte, deve ter botado  o  casamento nessa sorte...Como a vida não é feita só de flores e céu azul dá pra gente imaginar que nessa convivência devem ter passado por muitas agruras. Mas, vamos e venhamos, é de tirar o chapéu e reverenciar um casamento tão duradouro ! Reverenciar, celebrar e agradecer pois sob a influencia deles constituímos uma família numerosa, barulhenta e sempre pronta a festejar as datas significativas. Um retalho especial fica reservado a essa união que gerou tantos retalhos de estampas coloridas e alegres. Um brinde especial! Rió

Um poemeto para o pai poeta

 Como todos sabem eu e Tonco frequentamos  o mesmo atelier de pintura há anos. Por conta do diálogo pintura / haiku  que Tonco levou pra lá em 2004, usamos dessa prática poética ao lado da expressão pictórica. Nosso professor ( Michi) inventou no início da pandemia um jogo a partir de 8 palavras que "sorteamos" de um conjunto de palavras que jogamos na caixa ( cada qual tem a sua com palavras diversas). Fazemos um conjunto de haikus com obrigação de usar 6 das sorteadas pois a sétima é a rima que podemos escolher, Na última jogada eu sorteei a palavra pai , cabide ,lenço. vela, pena, palha, cerca, brasa. Alguns desses haikus ficaram assim : Só lenço no cabide                                     Vela pro pai Atrás da cerca palhas e penas                     Lenço em brasa    uma pena Uma vela  um alaúde  ...

Saudade ...o que é?

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  Machado de Assis , em "Capitu", falou que "saudade é  isto: é o passar e repassar das memórias antigas". Eu andei olhando fotos e como já falei, pintei o pai na flor da idade quando comprou aquela camionete,  lembram? pintei ele tomando cerveja na festa de casamento do Shinji (quando foi mesmo?) ...fiquei viajando , lembrando de coisas. Pintei também o pai recente, recordando o último sorriso dele quando levei aqueles tsurus ( que viajaram com ele...).Agora que Tonco me mandou aquela foto dele na cozinha, preguei-o e fico olhando quando sento pra fazer algo no meu "atelier" ( antigo quarto do Nanan que Mimi fala que é dela tb ). Como ele ficou com a cara do pai dele, nosso Diityan, né? Pois, ontem estive visitando a mãe e, ela emagrecida e encolhida, achei que  ficou parecendo o pai dela, nosso avô materno...A mãe não apertou mais minha mão quando segurei a mão dela. Chamei-a bem no ouvido e aí ela mexeu as pálpebras como se quisesse abrir e vi lágrimas ...