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Mostrando postagens de fevereiro, 2021

Casal de velhos

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 A foto dos nossos pais que Nonco mandou mexeu comigo para além da saudade que despertou. É um belo registro dos últimos tempos de convivência dos dois compartilhando a velhice. Fico me lembrando do pai colocando pedaço de sashimi na boca da mãe ou um pedaço de manga. Lembro também dum dia que eu estava lá almoçando e o pai falou meio triste ( com cara de shikataga nai ) que ela, a mãe, não falava mais... Sei que é truque virtual mas a foto deles juntos lá no céu batendo papo ( que assunto será que tava rolando?}me trouxe conforto e alegria (meio triste)... Vou postar aqui pra reavivar a memória deles. Rio
  Reminiscência   1 : Anteriormente, já escrevi   aqui que o nosso pai quando jovem, segundo   contam os irmãos dele,   era um homem enérgico, impaciente, temido por toda a família   por causa de suas explosões de ira. E todos nós irmãos convivemos com esse comportamento irrascível e intolerante do pai na nossa infância. Mas com o passar dos anos, essa braveza do pai foi diminuindo, e ao se tornar avô a partir dos 59 anos, foi ficando cada vez mais maleável, até se tornar aquele "Diityam" que a geração dos nossos filhos conheceu. Para mim,   a imagem que ele me passava na infância era a de um trabalhador incansável, orgulhoso de ser o provedor exclusivo da família de oito membros, e ainda sempre fez questão de ajudar financeiramente os seus irmãos mais novos, pois ele era o “tyoonam” (filho mais velho) de uma prole de 9 que meus avós criaram.   E na tradição japonesa, o Tyoonam é o responsável pelo cuidado dos pais e irmãos mais novos, p...

Nossa mâe chegando à terceira margem do rio ?

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 Amanhã vai completar 7 dias que a mãe partiu. De repente chegou à minha mente aquele conto curto e enigmático de Guimarães Rosa ," A terceira margem do rio ". Fiquei pensando naquela nossa conversa sobre o barco transportando a pessoa que partiu dessa terra. Me veio muito forte a imagem do pai sorridente esperando o desembarque da mãe na terceira margem. Pois eu tenho um entendimento que o pai do conto roseano ficou indo rio abaixo rio acima e desapareceu na margem invisível para os viventes, a terceira margem...A imagem da mãe que me vem desde ontem é aquela mãe de meia idade, costurando e cantando, cozinhando e cantando, regando as plantas, lendo livro, sempre cantando, cantando...Quando a mãe desembarcar amanhã e pisar a terceira margem, que será que vão fazer? Fazer poesia e lembrar de nós com saudade? Fico com isso no coração e vou tentar sentir saudade dos dois com mais serenidade e menos tristeza. Que fiquem juntos em paz! Rio´
    Sobre rádio Transglobe   Dias atrás,   Shinji postou uma foto de um rádio no grupo de zap “2ª geração” dizendo que o pai lhe deu de presente para ficar como herança. Daí foi um furor de postagens sobre   lembranças evocadas pelo rádio, pelos acontecimentos da época, e eu lembrei particularmente de um episódio que envolve o pai, a mãe, e o relacionamento entre eles. Sobre o ano de aquisição de duas unidades desse rádio pelo nosso pai (eu lembro que ele o chamava orgulhosamente de Transistor, mas a Rió o chama de Transglobe) eu não tenho certeza, mas pode ter sido em 1964 (ano do Golpe Militar!).   Porque tenho vaga memória de ter presenciado a cena em que o pai chegou de São Paulo carregando esse rádio, ofereceu feliz para a mãe e esta... não só não agradeceu como reclamou de ele ter gastado tanto dinheiro para comprar uma coisa supérflua. Não que ela não usasse o rádio, pois sempre o ouvia enquanto costurava na sala de jantar, ouvindo not...
  Hoje é o 4º dia após o falecimento de minha mãe. No dia 05/02/2021, às 14h, quando terminava o meu almoço e me preparava para voltar ao serviço online de inscrição do COREN-SP, Tonco   ligou no meu celular e disse “A mãe foi agora”... Não sei definir o que senti naquela hora : um misto de alívio, de sensação de perda, de sentimento de culpa por não estar presente ali, e remorso por ter pedido tanto às entidades invisíveis   que levasse logo a mãe... Muito diferente da partida do pai, que considerei   uma bênção por ele ainda estar lúcido, inteiro fisicamente e   dando   a impressão que fora   por decisão própria, sem ressentimentos e sem apego à vida, o desligamento da mãe foi um processo longo e   doloroso, como se ela tivesse que sofrer até o limite do insuportável,   antes de partir. Passados   3 dias ,   ainda choro pensando no quanto ela sofreu, sem poder manifestar sua dor física ou moral, visto que há mais de 2 anos p...

Adeus Mãe

 Durante o meu inferno astral no ano passado, eu estava um tanto melancólica, pensando nos 98 anos da mâe, no meu niver chegando e anotei num caderninho...acho que até mandei pr@s  man@s... Minha mâe Nossa mâe Minha nossa velha mâe Velha há tanto tempo Tempo de também eu ficar velha Meus irmâos, todos velhos Nossa! Nossa mâe adormece cada vez mais...quase nâo se vẽ seus olhos, seus olhares Ela sempre gostou do sono, de dormir, tirar soneca Agora se entrega ao adormecer parecendo atrás de refúgio Como adivinhar, como saber com'é esse estado de contínuo adormecer? Quando também eu atingir esse estágio que ultrapassa a vigília, me entregar ao sono, vou alcançar a velhice de minha mâe? Mistérios talvez desvendáveis com muita velhice.  Minha velhice ainda tem de envelhecer mais e, quem sabe, poderei compreender velhice tâo velha? Um dia antes do meu niver fiz esse poemeto: Sem roupa no cabide Nada de enfeite na parede Balanço nâo há na rede Quem vai saciar minha sede? Tomara q...

Noventa dias sem o nosso Pai

 Sabe aquela foto, talvez a última do pai, ele sentado na cozinha de camisa xadrez. Tenho pregado na minha frente aquela derradeira foto do pai de camisa xadrez, sentado ,talvez esperando a tigelinha do almoço. Tonco distribuiu como lembrança e, como lembro dele! Incrível como a fisionomia dele passa suavidade , olhar vivo e postura altiva e serena! Como Nonco falou, eu agradeço a vida por ter tido a sorte de envelhecer em companhia dele, ter visto como aquela imagem de pai bravo e meio distante foi dando lugar ao pai manso  (nem sempre...), sorridente e tranquilo. De repente me lembrei que, em alguns momentos, o pai mostrava a face afetiva quando eu era criança. Era quando a mäe costurava um vestido novo e eu mostrava pra ele : ele sorria e fazia um comentário carinhoso e eu sentia muita felicidade ( pelo vestido e pelo elogio).Quando era criança eu sentia mais admiraçäo do que proximidade com o pai ( descascava laranjas sem nenhum arranhäo, comia sem nunca melecar a boca, co...