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Mostrando postagens de março, 2021

Nova identidade : ser sogra e avó

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Com a partida dos pais, tenho pensado muito na ancestralidade, fiquei com a sensação de que um fio se quebrou , querendo sentir melhor como viveríamos a continuidade herdada dos nossos pais. Hoje, dia 25 de março está fazendo 15 anos que Mimi se casou lá em Sevilha : ganhei o Mig como genro, virei sogra! Na manhã desse mesmo dia " Mimi nos deu a notícia da gravidez...foi uma emoção enorme, ficamos nos abraçando no meio da rua..." ( do meu diário ): eu seria avó ! Então pensei : isso é ancestralidade, continuidade das gerações. O fio não se quebrou, rastros foram deixados pelos pais, pelos pais dos pais, agora nós estamos com o bastão dos mais velhos e, assim é a vida ! Paulinha vai fazer 15 anos em novembro e eu já incorporei em mim ser sogra, ser avó com ares de experiente.  Registro aqui a lembrança desse dia com muita alegria e emoção. Rio Vou postar a foto tirada quando Mimi estava se arrumando de noiva e já carregando dentro dela a Paulinha.

103 anos não chegaram ( em vida)

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 Sempre quando chegava o niver do pai eu lembrava que ele dizia que tinha nascido no dia quando o dia e a noite tinham o mesmo tamanho e falava como se isso fosse mérito dele! Só pelo jeito dele falar nesse solstício com orgulho sempre via nele algo de especial, alguém que foi abençoado com sorte, algo assim. Vai ver que é por isso que o pai tinha tanta auto confiança, se sentia especialmente sortudo na vida e parece que só armazenou lembranças boas na memória. Quando eu soube sobre a Mariana após 14 anos que tinha vindo ao mundo, fui lá falar com os pais, me sentindo traída, uma coitada raivosa...acabei de desabafar e aí o pai só olhou pra mim e disse " shikataga nai...". Saí de lá meio frustrada entendendo que ele tinha me aconselhado a ser conformista na vida. Demorei e tive de envelhecer mais pra entender o significado dessa fala : que temos de aceitar a vida como ela é , que não temos o poder de controlá-la conforme a gente quer, que temos de aprender a balançar ao vento...
  Reminiscência   3   Está se aproximando o dia 21 de março, aniversário do nosso pai. Lembro muito do 1º aniversário do pai após ele se mudar para São Paulo. Teve um almoço na casa da Nonco, todos os filhos   almoçaram com os pais, e eu, como era hábito na época, levei   um pequeno bolo confeitado, para cantar parabéns e fizemos ele soprar as   velas indicando os 82 anos da vida dele. A alegria e o entusiasmo dele dizendo “É a primeira vez na vida que vou soprar vela de um bolo de aniversário!” foram tão grandes   que me comoveram profundamente, e daquele ano em diante, nunca mais deixei de fazer um bolo para ele soprar as velas no dia 21 de março. Mas no dia 21/03/2020, o estado de São Paulo havia acabado de entrar em quarentena por causa da pandemia do coronavírus, e eu fiz e mandei o bolo de aniversário, mas não pude ir para abracá-lo.   Fizemos live de   todos os irmãos e cantamos parabéns para ele, mas acho que ele não enten...

Mãe, nossa velha mãe

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  Publico aqui a poesia que a Rió m andou para nós irmãos, por e-mail, em 2019. Yuko. Para mãe de 97 anos   "Mãe, nossa velha mãe Já gastou todas as palavras? Ou só as falas fúteis, inúteis? Gastou também todos os sorrisos? Sobraram só enigmáticos olhares?   Expressões fugazes Miram os filhos reunidos Jogo de adivinha das palavras não ditas   Ninando lembranças  da velha mãe que já foi mas está ainda entre nós."   Rioco    29/julho/2019 30 de jul. de 2019 09:33 Belas palavras, a mãe tá e não está entre nós... acho que quer continuar ao lado do pai. Calada mas presente... Jorge Kayano    30/07/2019  

O aniversário de 99 anos não chegou...1 mes sem a mãe

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Foto do casamento de Isa e Hélio, 2007 Escrevo hoje porque amanhã estaremos reverenciando a memória da mãe justo no dia que ela faria 99 anos.  Esse tempo que correu após a partida da mãe me traz uma sensação estranha, parece que faz um tempão que ela foi embora...Fecho os olhos e só vejo a imagem dela mais antiga...quando ela falava e ria das nossas conversas. Ah como eu gostava de contar coisas engraçadas, jocosas ,que eu exagerava só pra ouvir o riso dela me batendo no ombro !Sempre identifiquei na mãe traços melancólicos convivendo com alegrias, a rigidez moral ao lado de observações críticas e mordazes. Ela não tinha a leveza e a autoconfiança do pai , era muito reflexiva perante a vida...como é forte pra mim a imagem dela fazendo comida e correndo pra ler Tolstoi, Dostoievski, autores densos discutindo filosoficamente o bem e o mal e os dilemas da humanidade. Vou postar aqui alguns haikus sugeridos por palavras que me evocaram a mãe no período que eu estava triste bem mais tr...
  Reminiscência 2 Hoje . 03/03/2021, faz 4 meses   que nosso pai se foi. Muita saudade... Tento lembrar como foi a sua vida antes de vir a São Paulo, mas na verdade , nós fillhos tivemos   pouca convivência com os pais   após   a nossa adolescência. A partir de 1962,   eles   mandaram para São Paulo, a cada ano uma   filha, à medida   que iam se formando no "Ginásio" (4 anos do atual Fundamental II) para morar numa casa que o pai mandou construir na Vila Mariana (Rua Jurea 433) ,   especialmente para   nos abrigar, delegando a responsabilidade   da administração da casa à Baatyam,   mãe do pai. E com a vinda dos 2 filhos mais novos   em 1967, os pais   ficaram sós na cidade de Lavínia. E os pais então resolveram   voltar a morar no sítio do Bicudo e cuidar de uma granja de galinha, trabalho pesado e constante, sem folga.   A partir de então os contatos entre os pais e nós filhos se resumiram a...