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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

A Mãe era assim

  Na passagem do primeiro aniversário de partida da mãe, queria registrar uma lembrança alegre dela. Mas por incrível que pareça, não me vem à mente nenhuma imagem dela rindo um riso solto . Só lembro do seu sorriso acolhedor e permanente. Eu gostava tanto dela, e ela era uma mãe tão carinhosa que pensava que isso era uma característica de todas as mães do mundo. E lembro que me surpreendi quando uma coleguinha de escola, já no terceiro ou quarto ano da escola um dia comentou : “Sua mãe é tão boazinha né? A minha mãe é tão ruim!” Não compreendi e fiquei perguntando “como assim? porque vc diz isso?” e a coleguinha só repetia; “Ah, ela é muito ruim”. Mais tarde comentei com a nossa mãe o que ouvi, e  ela disse : “Talvez a sua colega  não seja uma filha tão boa como você é”. Ela dizia que antes de casar-se, sempre sentia que as crianças de modo geral não gostavam dela, e isso a preocupava, pensando em como seria quando tivesse  os próprios filhos. Foi outra surpre...

O maior apreciador de comida da mãe.

  Lendo o último post da Rió, “A comida é sempre com a mãe”, resolvi escrever hoje sobre o pai que completou 15 meses de partida. Sobre a relação do pai com a comida da mãe. Desde sempre, o pai foi um grande apreciador da comida feita pela mãe. Nunca ouvi o pai fazer qualquer comentário depreciando a comida da mãe. Pelo contrário, sempre que gostava de algo que comia dizia “UMAI!”. E nas comemorações (frequentes) no Clube dos japoneses de Lavínia (chamado de KAIKAM),   ocasião em que cada família contribuia com um prato para ser compartilhado por todos , era engraçado o comportamento do pai.   Ele ficava perto do prato preparado pela mãe e oferecia para todos ao seu redor dizendo “Experimente isso. É muito gostoso! Acho que você nunca comeu uma coisa tão boa!”   E fazia isso alto e bom som, sem olhar a quem. Um comportamento que, diga-se de passagem, destoava no meio daqueles japoneses que nunca elogiavam o prato que suas esposas preparavam. Uma vez, uma Sra ...

A comida sempre é com a mãe

 O título desse post tem a ver com os meus sonhos . Na proximidade de fazer 1 ano da partida da mãe sonhei 2 vezes com a mãe. E reparei que quase sempre quando sonho com ela aparecem comidas. A mãe numa cozinha grande meio bagunçada, legumes e verduras espalhadas e ela cozinhando sorridente. Será que tem a ver com o prazer que ela tinha de fazer comida boa pra nós? Ou tem a ver com o prazer que eu tinha ( nós os filhos) de saborear a comida feita por ela? Desde comida simples como bife ( ela pesquisava muito como deixar o bife gostoso sem deixar perder a água, o ponto certo...), a sopa de osso com arroz torrado ( ela pegava ossos no açougue e deixava horas cozinhando até tirar todo o sabor...), o galeto frito na hora, o macarrão chines de uma receita retirada de um livro, a pizza que fazia quando vinhamos de volta a SP ( sempre de sardinha...), o panetone cuja massa molhadinha nunca encontrei nos panetones comerciais... No sonho que tive 2 dias seguidos ela cortava abóboras enormes...