Noventa dias sem o nosso Pai
Sabe aquela foto, talvez a última do pai, ele sentado na cozinha de camisa xadrez. Tenho pregado na minha frente aquela derradeira foto do pai de camisa xadrez, sentado ,talvez esperando a tigelinha do almoço. Tonco distribuiu como lembrança e, como lembro dele! Incrível como a fisionomia dele passa suavidade , olhar vivo e postura altiva e serena! Como Nonco falou, eu agradeço a vida por ter tido a sorte de envelhecer em companhia dele, ter visto como aquela imagem de pai bravo e meio distante foi dando lugar ao pai manso (nem sempre...), sorridente e tranquilo. De repente me lembrei que, em alguns momentos, o pai mostrava a face afetiva quando eu era criança. Era quando a mäe costurava um vestido novo e eu mostrava pra ele : ele sorria e fazia um comentário carinhoso e eu sentia muita felicidade ( pelo vestido e pelo elogio).Quando era criança eu sentia mais admiraçäo do que proximidade com o pai ( descascava laranjas sem nenhum arranhäo, comia sem nunca melecar a boca, coisas assim ).Como o Pai foi ficando mais próximo de nós com o passar dos anos! Ainda hoje quando entro na sala sinto muito forte a presença dele, quase dá pra sentir o cheiro dele...Que o incenso que Tonco acendeu hoje faça chegar até ele todo o amor e saudade!
Rio'
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