Reminiscência 1 :
Anteriormente, já
escrevi aqui que o nosso pai quando
jovem, segundo contam os irmãos dele, era um homem enérgico, impaciente, temido por toda
a família por causa de suas explosões de
ira.
E todos nós irmãos
convivemos com esse comportamento irrascível e intolerante do pai na nossa
infância.
Mas com o passar dos
anos, essa braveza do pai foi diminuindo, e ao se tornar avô a partir dos 59
anos, foi ficando cada vez mais maleável, até se tornar aquele
"Diityam" que a geração dos nossos filhos conheceu.
Para mim, a imagem que ele me passava na infância era a de
um trabalhador incansável, orgulhoso de ser o provedor exclusivo da família de
oito membros, e ainda sempre fez questão de ajudar financeiramente os seus
irmãos mais novos, pois ele era o “tyoonam” (filho mais velho) de uma prole de
9 que meus avós criaram.
E na tradição japonesa,
o Tyoonam é o responsável pelo cuidado dos pais e irmãos mais novos, por toda a
vida. Em compensação, ele é o herdeiro universal de todo o patrimônio dos pais.
Naturalmente, no Brasil a legislação não
permite tal arbitrariedade, mas o pai cumpriu à risca a sua parte na responsabilidade
para com os irmãos mais novos.
Nossa mãe sempre dizia que admirava a
capacidade do pai de administrar
habilmente os bens que iam adquirindo aos poucos, sem depender de ninguém, ele
que mal falava a língua portuguesa e cuja escrita se resumia à sua assinatura
que foi mantida inalterável ao longo de toda a sua vida.
A característica
marcante do nosso pai era o otimismo e a fé inabalável na humanidade. Já
presenciei ele cair em golpe de
malandro, ser prejudicado financeiramente
por aquele que considerava amigo
de confiança, mas nunca vi se queixar de má sorte nem falar mal de quem o
tenha prejudicado.
Quando acontecia algo
contra o qual ele não podia lutar, dizia "Shikata ga nai (não há o que
fazer)" e não tocava mais no assunto. A mãe ficava muitas vezes
contrariada pelo fato de o pai não compartilhar as suas preocupações, e nem
consultá-la para tomar decisões de negócios, mas para o machista que ele era, isso "não era
assunto de mulher".
É sempre bom colocar o seu nome no post. Gostei muito do que vc escreveu sobre o pai pois os netos e os bisnetos não imaginam esse perfil de homem irritadiço, impaciente e bravo. E todos tivemos sorte por ter conhecido do nosso pai a contínua suavização de seu humor, a alegria e otimismo perante a vida
ResponderExcluirRio