Sobre rádio Transglobe
Dias atrás, Shinji postou uma foto de um rádio no grupo de
zap “2ª geração” dizendo que o pai lhe deu de presente para ficar como herança.
Daí foi um furor de
postagens sobre lembranças evocadas pelo
rádio, pelos acontecimentos da época, e eu lembrei particularmente de um
episódio que envolve o pai, a mãe, e o relacionamento entre eles.
Sobre o ano de
aquisição de duas unidades desse rádio pelo nosso pai (eu lembro que ele o
chamava orgulhosamente de Transistor, mas a Rió o chama de Transglobe) eu não
tenho certeza, mas pode ter sido em 1964 (ano do Golpe Militar!).
Porque tenho vaga
memória de ter presenciado a cena em que o pai chegou de São Paulo carregando
esse rádio, ofereceu feliz para a mãe e esta... não só não agradeceu como
reclamou de ele ter gastado tanto dinheiro para comprar uma coisa supérflua.
Não que ela não usasse
o rádio, pois sempre o ouvia enquanto costurava na sala de jantar, ouvindo
noticiários e canções em japonês.
E depois de um tempo,
quando a Rió foi passar as férias daquele ano em Lavínia, contou para a mãe
como o pai havia mostrado com orgulho e contentamento o tal rádio Transglobe
dizendo : “ Kaatyam ga yorokobu zoo”.
E quando eu contei que
a mãe fez tão pouco caso do rádio, a Rió dizia “que ingratidão, coitado do pai!”,
e a mãe ficou com o pescoço encolhido, os olhinhos pequenininhos, fazendo
biquinho, com expressão de arrependimento.
Cena corriqueira de desencontro
de intenções e sentimentos entre marido e mulher.
Yuko – 21/01/2021
ResponderExcluirSempre ouvi dizerem que os objetos, as coisas, falam. É verdade, no caso, o rádio que surgiu
nas nossas conversas vem falando tanta coisa, ne? O tal do rádio marcou aquela época ( da ditadura, nossa juventude) e até hoje sou apegada ao rádio, ouço todos os dias música de todos os tempos e lembro da mãe como a Yuko relatou...gostei do seu post!
Rio
Obrigada Rió. Sabe que eu também ouço rádio na cozinha todos os dias ?
ExcluirSerá que é coisa de gente madura? kkk...
Eu acho que sou mais moderno, em vez de rádio, ouço todos os dias, lives e músicas do youtube no meu smartphone.
ResponderExcluirShinji
Eu salvei o ícone do "Retalhos..." na pág. inicial.
ResponderExcluirE eu, que gostava de cantar, mesmo desafinado - cantei por anos no "Coral da Med-Usp", que começou numa época de fama do "CoralUsp" com um bom e competente maestro, contratado pelo CAOC! - foi quem me definiu como "barítono", o meio-tom insosso (?) entre o baixo e o tenor - hoje, quase tão surdo como Beethoven, só ouço as músicas que a Olinda põe, quando está no micro ou na cozinha...
ResponderExcluirE o Ni não esclareceu se jogou fora a herança, e há quanto tempo!