Reminiscência 2
Hoje . 03/03/2021, faz 4 meses que nosso pai se foi. Muita saudade...
Tento lembrar como foi a sua vida antes de vir a São Paulo,
mas na verdade , nós fillhos tivemos pouca
convivência com os pais após a nossa adolescência.
A partir de 1962, eles mandaram para São Paulo, a cada ano uma filha, à medida que iam se formando no "Ginásio" (4
anos do atual Fundamental II) para morar numa casa que o pai mandou construir
na Vila Mariana (Rua Jurea 433) ,
especialmente para nos abrigar, delegando
a responsabilidade da administração da
casa à Baatyam, mãe do pai.
E com a vinda dos 2 filhos mais novos em 1967, os pais ficaram sós na cidade de Lavínia.
E os pais então resolveram voltar a morar no sítio do Bicudo e cuidar de
uma granja de galinha, trabalho pesado e constante, sem folga. A partir de então os contatos entre os pais e
nós filhos se resumiram a nossa passagem de férias escolares em Lavínia, e mais
tarde, quando todos já trabalhavam, apenas aos dias de feriados prolongados, e isso durou por 30 anos.
Durante todos esses anos, o pensamento da nossa mãe era um só: vir morar em São Paulo para
ficar perto dos filhos, desejo esse que não era considerado pelo nosso pai, que
não se resolvia a deixar sua vida no interior e recomeçar outro estilo de vida na cidade grande.
Mas em 1998, ao completar 80 anos, o pai finalmente resolveu se aposentar do cargo de Diretor da
Cooperativa Agrícola de Mirandópolis, vendeu o sítio do Bicudo, que foi seu
meio de vida por 50 anos, adquiriu uma
casa em São Paulo e aí os pais se mudaram de vez para a Capital.
E o pai adaptou-se incrivelmente bem à nova vida,
deixou voluntariamente de dirigir qualquer carro, aprendeu depressa a andar de
Metrô e de ônibus e, junto com a mãe, passou
a frequentar vários círculos de poetas
haicaístas, e a ir para o Parque
Ibirapuera semanalmente jogar gate-ball ,
além de ir para a feira e mercados...
E quando estava em casa, ficava
no seu “escritório”, num dos cômodos do andar de cima, diante de uma velha
escrivaninha que trouxe do interior, escrevendo seus haicai e corrigindo os dos seus “discípulos” que lhe enviavam
suas obras,, via Correios, de vários estados do Brasil, para que fossem avaliadas pelo “Keizan
sensei” que eles consideravam o “Mestre”
do haicai.
E o pai se dedicava a essa tarefa
meticulosamente, sempre com o apoio e
auxílio da mãe, cujo conhecimento da escrita japonesa (kanji e outras
complicadas regras da língua japonesa) era superior ao do pai.
Acho que aqueles foram os anos
mais felizes da vida dos pais, que infelizmente, só duraram por uns 15 anos.
Bela reminiscência, bela retrospectiva da vida dos pais! Após 4 meses da partida do pai e quase
ResponderExcluir1 mes da mãe ainda me pego estranhando a ausência deles. Sensação que as raízes da árvore foram arrancadas e agora, nós é que temos de ser as raízes pra sustentar os galhos e transmitir a seiva da vida...
Rió