SETE MESES SEM O PAI
Yuko , 02/06/2021
Amanhã, 03/06/2021, faz 7 meses que o nosso pai se foi.
Lembrando com saudades
dele, resolvi escrever alguma coisa para marcar a data.
O mês de junho remete
às Festas Juninas.
No período em que morei
na cidade de Lavínia, de 1957 a 1964, lembro que tivemos várias festas juninas
na nossa casa, mas guardo lembranças de uma
em particular. O pai trouxe lenhas, galhos e troncos secos de
árvores do sítio e fez uma bela fogueira na calçada em frente à casa.
Lembro que fiquei
insatisfeita com a maneira desordenada como ele foi jogando os galhos e
troncos, ao invés de montá-los formando um quadrado regular, como eu via na fogueira
das outras casas. Claro que não falei nada, com medo de provocar a ira do pai.
Fizemos churrasco na
fogueira, assamos batata doce, e compartilhamos com as crianças da cidade que
ali apareceram. A mãe fez uma montanha de “oniguiri”, e um dos meninos viu e exclamou : “Olha, tem
cocada!”, provocando muita risada.
Quando vim para São
Paulo e fui pela primeira vez a uma
festa junina de uma escola, achei muito estranho não ter fogueira, porque no
interior, nas noites de São João, Santo Antônio e São Pedro, o “quente” das
festas eram as fogueiras que víamos nas calçadas de muitas casas, e as crianças
ficavam ao redor delas, até tarde da
noite, inventando várias brincadeiras.
O mês de junho remete
também à Copa do Mundo.
E foi durante a Copa do
Mundo de 2014 que o nosso pai teve um surto psicótico.
Numa noite m que eu
estava de plantão noturno, o pai assistiu ao jogo da Copa em que a
Seleção do Japão enfrentou e perdeu de uma Seleção que era composta predominantemente
por jogadores negros. Mas o pai, ao final do jogo, disse triunfante: “Aííí, o
Japão ganhou!”. Achei muito estranho aquilo, mas deixei passar, não iria tentar
convencê-lo do contrário, para quê?
O pai foi dormir, e eu
continuei na sala, vigilante, pronta para ajudar a mãe quando ela levantasse
para ir ao banheiro.
E no meio da noite, de
repente o pai veio até a sala, o que não era usual. Foi proferindo frases incoerentes e
incompreensíveis, perdeu completamente a noção de tudo, foi mexendo numa coisa e outra, até que foi ao seu banheiro e arrancou violentamente da parede o varão que
sustentava a cortina do box.
Apavorada , liguei ao
Dió que veio correndo, e com firmeza e autoritarismo, conseguiu deter os
movimentos irrascíveis do pai.
Não consigo recordar
com clareza o que sucedeu no decorrer daquela noite, mas o fato é que esse
episódio serviu para nós irmãos decidirmos que era hora de contratarmos
cuidadoras para tomar conta dos pais durante a noite, para pouparmos as nossas
carcaças de sexagenários.
O surto psicótico do
pai foi adequadamente tratado pela Geriatra Dra Keila que já acompanhava o seu
estado clínico, mas os comportamentos excêntricos dele ainda continuaram por vários meses, algumas vezes violentos,
outras vezes apenas cômicos.
Pois é ...aquele período do pai “ loquinho” durou um ou dois meses? Não me lembro da duração mas foi terrível porque não sabíamos se ia voltar. Mas enfim como o pai e tão resiliente, com saude total recuperou- se e no fim da vida ficou mais esquecido mas não repetiu a doideira e hoje nós só rimos daqueles dias ... sete meses ... nem parece que passou tanto tempo : saudades...
ResponderExcluirMuita saudade dos pais. Esses dias fiquei lendo o diário que anotei sobre os últimos dias dele. Dois dias antes ainda perguntou da mãe. Qdo falei que estava almoçando, disse: tenho que comer também. Só tomou uns goles de missoshiru, mas fiquei pensando que ainda se esforçou para comer...
ResponderExcluirAi, ai, recordar é viver, né? Tanta saudade do pai mas penso que temos tantas lembranças porque ele teve uma vida longa e nós, os filh@s pudemos usufruir dessa convivência de tantos anos. Lembro desse tempo do pai "loqui"mas menos do que vcs pois estava exilada em Brasília. Vim a SPaulo quando ele fez a cirurgia e ele estava protestando pra ir pra casa. Toda hora chamava a Tonco " Toshiiii! tasuke te kuréeee ! Noriiii! ", cortava o meu coração...Quando ele falou que eu e Dió eramos imprestáveis " yakuni tatan ", nem fiquei chateada, até hoje quando lembro disso rio sozinha, loqui ou não o pai deixou legado de recordações que o tornam imortal pra nós, ne
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