Os Pais na pandemia
Sete meses da partida da mãe. E só ontem lembrei que
o dia 3 (10 meses do pai) passou batido.
Mas diariamente eu dou o meu bom dia aos dois quando
levanto e falo boa noite antes de adormecer.
Tudo nessa casa remete aos pais, e aqui me sinto muito bem, em paz e feliz.
Entro em férias a partir de 08/09/2021, após o
feriado. Pela segunda vez estou adiando a viagem que programei para Portugal,
desde 2019.
Em 2020 programei minhas férias para outubro,
pensando em ir para Portugal, realizar o desejo do Zé, que em 2019 passou a
maior parte do ano em tratamento de Câncer de próstata. E ele que nunca antes
manifestara desejo de ir para Portugal, a partir dessa época passou a falar
frequentemente em visitar a sua “Terrinha”,
e seguir assiduamente na TV os programas sobre tudo que se relaciona àquele
país.
Mas em março de 2020 a pandemia do coronavírus
impediu a realização da viagem programada. E até que foi bom, pois se tivéssemos ido,
provavelmente eu não veria os últimos dias do nosso pai nesta vida. E até hoje fico com muita raiva de pensar que
por causa dessa pandemia, deixei de ver os nossos pais, desde março/2020, só
voltando a frequentar esta casa no mês de outubro, poucos dias antes da partida
do pai. Fico imaginando se os dois tiveram compreensão do que se passava, se
não estranharam o fato de Nonco, Rió e eu termos desaparecido da casa deles, de
repente, por tanto tempo.
Meu consolo sempre foi que a Tonco estava presente
diariamente aqui, e só dela mesma que o pai sempre verbalizava sentir falta,
quando ela viajava, mesmo por poucos dias.
E sou grata a Tonco, para sempre, por ter cuidado tão bem dos pais, por tanto
tempo.
Ao Dió e à Olinda também fica o meu reconhecimento
pelos cuidados dispensados, não só como filho e nora, mas como profissionais, sempre que foi necessário, por
todos os anos que viveram na mesma Vila.
Todas as vezes que ouço as pessoas do meu círculo de
relacionamento contarem as dificuldades que enfrentam para cuidar dos pais
idosos, levanto a mão aos céus em agradecimento, por não ter motivos de
arrependimento em relação aos cuidados que pudemos dispensar aos nossos pais.
Gostaria que os últimos momentos da mãe tivessem
sido tão tranquilos como foram os do pai, mas aí já são coisas sobre as quais
não temos controle.
Que os dois agora estejam em paz, e de preferência
juntinhos!
Yuko,
05/09/2021.
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