Carta da Mãe para o Pai

 

Hoje é dia 05 de outubro de 2021. 8 meses que a nossa mãe se foi.

Só para deixar um registro aqui no blog, vou contar que no outro dia estava remexendo nos manuscritos da Mãe, e achei uma carta interessante.

Pena que não há data, mas pelo conteúdo foi escrito já quando ela e o pai moravam nesta casa em que agora estou.

A mãe escreve uma carta ao pai, dizendo que quando os dois conversavam, o pai se exaltou, não aceitou o que ela dizia e começou a gritar. Diz a carta que então ela resolveu escrever, para obriga-lo a ouvir o que ela tinha a dizer.

E o assunto era que o pai criticou uns haicaístas conhecidos, reprovando a atitude deles por terem publicado alguma coisa numa revista, sem ter exposto antecipadamente  o conteúdo aos colegas, principalmente para ele, o pai, que era considerado o “Mestre” de todos.

E  a mãe então argumenta  que o pai  deveria respeitar a liberdade de expressão de cada um, que ele não deveria se arvorar como “Mestre”, que isso era falta de modéstia da sua parte.

Que gostaria muito de conversar civilizadamente com ele, e não tinha nem um pouco de temor dos seus gritos, apenas desistia de prosseguir a discussão, um porque o pai não queria ouvi-la, outro porque ela é que tinha vergonha da sua descompostura.

E aí a mãe prossegue : que sempre lembra das palavras ditas pelo Sr Yamada, casamenteiro dos dois, no dia do seu casamento : “Um casal deve ser como rodas de um carro, devem ser iguais e caminharem no mesmo sentido”.  

Não sei dizer se o pai leu essa carta, pois está inteira, limpa, dobrada com cuidado.

Mas achei bem interessante, pois reflete muito a maneira como a mãe tentava se entender como pai, mantendo a harmonia entre eles.

Yuko 

Comentários

  1. Bem reveladora essa carta da mãe, a força da convicção dela e a coragem de encarar as diferenças... você, Yuko, tá vasculhando os escritos da mãe? Gostei¹
    Rio

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Resgatando

Dia 5 é dia de lembrar e reverenciar a mãe

Uai, cadê o Pai?