A Mãe era assim

 Na passagem do primeiro aniversário de partida da mãe, queria registrar uma lembrança alegre dela. Mas por incrível que pareça, não me vem à mente nenhuma imagem dela rindo um riso solto . Só lembro do seu sorriso acolhedor e permanente.

Eu gostava tanto dela, e ela era uma mãe tão carinhosa que pensava que isso era uma característica de todas as mães do mundo. E lembro que me surpreendi quando uma coleguinha de escola, já no terceiro ou quarto ano da escola um dia comentou : “Sua mãe é tão boazinha né? A minha mãe é tão ruim!” Não compreendi e fiquei perguntando “como assim? porque vc diz isso?” e a coleguinha só repetia; “Ah, ela é muito ruim”.

Mais tarde comentei com a nossa mãe o que ouvi, e  ela disse : “Talvez a sua colega  não seja uma filha tão boa como você é”.

Ela dizia que antes de casar-se, sempre sentia que as crianças de modo geral não gostavam dela, e isso a preocupava, pensando em como seria quando tivesse  os próprios filhos. Foi outra surpresa para mim, porque eu simplesmente adorva essa mãe!

Não posso esquecer da paciência que ela tinha em satisfazer a vontade de cada um dos seis filhos. Eu era muito enjoada para comidas, a cada período da infância lembro de declarar : “não quero comer feijão”, “não quero beber leite”, “não como pimentão”... e ela nunca me forçou a comer o que eu rejeitava.  Não posso esquecer que como eu declarei que não comeria pimentão, toda vez que ela fazia pimentão recheado para toda a família,  tinha a paciência  de preparar (só para mim) algum legume para substitui-lo:  tomate grande sem sementes, chuchu cozido e cavado... lembro dessas duas coisas no meio de um mar de pimentões recheados, quando ela cozinhava para 10 pessoas (além dos 6 filhos, houve ano em que a Sami e a Sati moraram conosco).

Com a mãe aprendi a respeitar a idiossincrasia das três filhas e hoje vejo a Cecília fazer a mesma coisa com os filhos dela. Ninguém na nossa casa é obrigado a comer o que não quer. E não me preocupo, pois hoje eu como de tudo e até gosto muito de feijão e pimentão!

A mãe me ensinou  muitas coisas na cozinha : como cortar legumes, as carnes, como cortar o frango nas juntas, como temperar o carê, como cozinhar e temperar o arroz para sushi, a importância de ferver a carne e retirar pacientemente a escuma, para preparar uma boa sopa ou um bom cozido de legumes...

E o que me vem à lembrança, toda vez que penso na mãe cozinhando, é que ela cantava, e  ficava muito feliz quando me juntava a ela, mesmo eu sendo tão desafinada e ela uma diva!

Yuko

Comentários

  1. De fato a mãe não dava risadas igual o pai mas eu lembro que quando ela estava costurando eu ficava do lado dela e às vezes conversava com ela e imitava o jeito de alguém, eu exagerava na voz e gostava de fazẽ-la gargalhar e como gargalhava gostoso me chamando de palhaça...
    Rio

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