2 anos da partida da mãe
Hoje, 5 de fevereiro de 2023, completou 2 anos da partida da nossa mãe.
Para variar , Tonco veio tomar chá comigo e depois nós colocamos no " butsudan" 6 pares de incenso, um para cada filho dela.
Tonco disse que fica com a sensação de que está devendo algo para ela. Aliás, eu e Tonco conversamos frequentemente sobre a mãe e o pai, e não é a primeira vez que ela observa isso : que talvez deixamos de fazer algumas coisas que poderíamos ter feito pela mãe. Uma das coisas é que não a forçamos a continuar andando, apesar das dificuldades dela para caminhar. Que ao colocar fralda nela para evitar que fosse ao banheiro, as pernas dela enfraqueceram e a tornou cadeirante mais cedo.
Eu já não tenho essa percepção. Afinal, ela se tornou cadeirante com 92 anos e me lembro da primeira vez que usamos cadeira de rodas para levá-la a um "hooji" no templo da Rua São Joaquim ela disse: " aa rakutim, yokatta ! ".
Penso que oferecemos o conforto para ela, na medida da sua necessidade. Não sou a favor de exigir dos idosos exercícios que não lhes trazem alívio e conforto.
Só de uma coisa me arrependo: não ter feito nada para investigar por quê ela parou de falar. Penso agora que os últimos 4 anos da vida dela teriam sido bem diferentes, para ela e para nós, se ela pudesse falar, expressar seus pensamentos e sentimentos.
Como aceitamos tão pacificamente a mudez da mãe? Não consigo me conformar. Mas agora é tarde, a mãe é morta. Agora resta acreditar que ela esteja bem onde está, e imaginar que ela tenha recuperado a voz, quem sabe até voltou a cantar !
Queria tanto vê-la, ao menos no sonho, mas é incrível, nunca consegui sonhar com ela !
Yuko
Me deu nó lendo esse texto da Yuko. Tonco já tinha tb comentado comigo esse sentimento de estar em dívida com a mãe. E lembro da Yuko lamentar a perda de voz da mãe. Sabe o que penso?
ResponderExcluirQue fizemos o melhor que achamos na ocasião, que nós filh@s fomos suficientemente bons . Afinal perfeição não existe e, o mais importante, conseguimos estar com o pai e a mãe sem desavenças entre nós. O maior temor da mãe era isso, sempre desejou que nós vivessemos em harmonia. Vamos serenar nossos corações e acreditar que eles foram felizes conosco!
Rió